Tuesday, February 23, 2016

A bonitinha está de bode?

Outro dia começa logo após o do dia do bode. Pode crer!
Meu senhor, se a bonitinha estivesse sempre sorrindo não seria vida, seria novela e pra bonitinha é melhor viver do que atuar.
Logo que percebe uma energia ruim por perto a  bonitinha amarra molas em  seus sapatos e ganha impulso pra sair da zona de "bodisse".
Na sua imaginação cultiva uma crença de que no dia seguinte haverá um caminho melhor e por isso mantêm seus olhos fixos nele enquanto salta confiante.
A  melhor parte do salto fica no intervalo entre um dia e outro e ela o atravessa caminhando sobre os sonhos.
Nos sonhos nada é monótono. Neles a bonitinha pode despencar no infinito ou descer num elevador sem portas, flutuar, voar, correr sem sair do lugar, nadar, conhecer novas pessoas e nos piores deles, pode lutar com dragões até acordar exausta, amedrontada e com sede. 
Ela vive afirmando que nenhuma bonitinha que se preze jamais passa o dia sorrindo feito palhaço e toma como exemplo outra bonitinha que com seu sorriso meio de bode, amontoa pessoas em frete do seu retrato preso à parede do LOUVRE.
Sim! A bonitinha está de bode mas não ficou na cama,  não se trancou no quarto e nem desligou seu telefone. Ela lava o rosto e pinta ele e vence seu bode na guerra.
A bonitinha de bode fica muito mais bonita que nos dias de sossego e é esse seu charme.


Friday, February 19, 2016

Mito (sem conclusão)

Eu olhando você comer sushi, sentados no chão, transportei nós dois pra uma tenda árabe.
Eu olhando você retirar sua corrente do pescoço rígido te dei músculos de aço e te banhei no ouro.
Eu olhando você respirar, senti seu ar saindo em acordes de guitarra e corri montar nossa banda. 
Eu olhando você nivelar as luzes do quarto, me fiz vaga-lume e pisquei mil vezes.
Eu olhando você abrir a garrafa, te imaginei saca-rolhas na função vulgar do penetrar e gritei com o estouro.
Eu olhando você limpar sua boca, me fiz guardanapo de tecido deitei-me estendida sobre seu colo durante todo o jantar.
Eu olhando você conduzir nossa noite, te vi  flanelinha, te enxerguei malandro e te joguei moedas.
Eu olhando você procurando na carteira a nota de dois, te cunhei em euro, eu te chapei em libra.
Eu olhando você vestir a camisa jogada sobre o teto do carro, trabalhei em dobro, ensaboei meu capô e enxaguei com baldes. 
Eu olhando você mostrar a língua no portão fechando, relembrei seu beijo e me perdi na marcha.
Eu olhando a letra sertaneja da música que me cantou, concordei, que a "sorte" é a "nossa" e comprei ingressos.
Eu olhando sua conversa séria no meu histórico do aplicativo, te respondi gargalhando, te devolvi sorrisos.
E por fim, 
Eu re-olhando agora todas essas nossas lembranças, começo a gostar de desvendar seu mito. 

Wednesday, February 17, 2016

Eu vim menina.

Quando nasci recebi um passaporte escrito "Mundo" e ele foi entregue pelas mãos das cinco irmãs curiosas que já existiam aqui.
Cresci protegida dentro desta família feliz até que um dia as maninhas traiçoeiras me acomodaram no carrinho de bebê, me levaram até o alto da rampa da varanda e em contagem regressiva soltaram meu possante para deslizar piso abaixo. Inocente eu me entreguei à brisa, à velocidade até ele brecar numa pilha de tijolos e eu me dar conta que meu queixo sangrava e por sangrar levava junto a  parte da minha  inocência.
Algumas vezes tenho a impressão de que nunca engatinhei. Que eu andei primeiro e só agora quando convém eu engatinho. Deste episódio eu sai no colo, lugar onde não se anda, não se engatinha. No colo ou sossega-se ou esperneia. Creio que já ali acolhida me deixei levar sossegada até o pote de sal da cozinha que minha mãe certamente usou pra fechar o talho.
A minha cicatriz começou enquanto ainda me debatia sob o "CHIIII, pronto! pronto!"
E foi assim que meu passaporte foi carimbado  por tijolos insensíveis e irmãs construtoras de pequenos traços na minha personalidade logo a ideia do que é ser  caçula começou a ser implantada numa era sem chip e tecnologias do tipo.
Depois de nascer eu sei que tive quase nada de colo e pouco peito. Além de pensar que andei antes de engatinhar eu penso que comecei a comer carne antes mesmo de mamar. Talvez por isso ainda mamo quando  me agrada e me canso do hábito de fritar meu próprio bife!
Depois que nasci a barriga da minha mãe virou área VIP e só  quem tem mais irmãos e se vê obrigado a entrar nessa disputa vai concordar. Sempre que procuramos por ela tem outra cabeça encostada ou até  fogão e pia!
Embora minha mãe fosse ninja na prova do revezamento no fundo ela era só uma mulher com mais filhos do que braços e, acredito que na maternidade o idealismo acaba no instante em que se tem o segundo provento, então nem minha mãe idealizou meu mundo e nem eu idealizei minha mãe e nós estamos nessa relação de mundo-vida até hoje porque além do segundo veio pra ela até o sétimo! Acho que no fundo, mães que não forem práticas como a minha na hora de distribuir o afeto devem trocar de  modalidade pois os filhos são sugadores de carinho e isso além de leite. 
Meu passaporte nunca venceu e eu tenho sorte por isso.

Cada dia após meu nascimento ganho um carimbo diferente nele e os fatos novos se sobrepõem aos demais sem desrespeitá-los porque os de hoje são consequências dos de ontem e só existiram pra me formar na vida e me fazer ser o que eu devia ter sido desde o dia em que cortaram o cordão com o mesmo ânimo de quem cerra a fita vermelha e  de quem diz que ficou pra trás a mãe de cinco e agora nascia comigo também  a mãe de seis e pra ela foi anunciado aos sorrisos: Nasceu! é uma menina... Mais uma!


Tuesday, February 09, 2016

Euforia.

Você dividido em tres me causa euforia porque você é o homem que  some,
o homem que chega
e o homem que  torna a ir.
Quando você  some do meu alcance físico e emocional sempre penso que é o fim e então, começo a produzir mentalmente uma história dramática e  desconfortável para nós.
Nela quebramos um pacto que nunca fizemos e um de nós precisa patir e como és gentil  você toma a frente .
Mesmo rompendo silenciosamente nosso "compromisso nenhum" eu me despeço do  status "relacionamento sério" e corro!
Corro, abraçar o travesseiro enquanto os  meus  olhos param na  lâmpada fria e descoberta no teto branco do quarto.
 Nesta história infeliz rompemos um pacto e por isso perdemos  o calor e a energia que temos quando estamos juntos, e, neste capítulo da história você é o homem que some.
Mas de repente quando estou quase aceitando um final definitivo toca meu telefone e de surpresa você volta a ser o homem que chega!
Seu ânimo e força com as palavras me assustam ao ponto de eu não conseguir reagir.
Levo tempo pra perceber e adimitir  que é sua maneira de chegar  que me deixa  boba e desprovida de qualquer bom senso.
Eu inibida pauso.
E somente depois de te ouvir e relaxar com a intensidade da sua voz, volta-me os sentidos e eu acelero.
Eu tomo banho rápido.
eu me visto apressada e eu  depressa abro a porta.
Te recebo sem sequer lembrar que fostes o homem que some.
A sua chegada trás vigor e eu fico eufórica!
Então troco as lâmpadas frias por quentes,  pinto o meu teto de azul e curto o mormaço que vem com você sempre que é o homem que chega!
Mas, depois ainda quente, sem que eu perceba você vira o homem que torna a ir.

Saturday, February 06, 2016

Nossa química no cotidiano.

A água que a copeira trouxe pra você  antes da reunião, me fez lembrar da sede que sempre sentimos depois que nos reunimos à dois.
...da foto que me enviou outro dia.
O suor na taça, escorrendo, me trás à memória nossos corpos após...

O vidro, desta taça simples, lembra-me de como sou frágil e
de como me esgotas à medida que me segura e me leva à boca...
Bebe-me e logo escorro e, com a mesma facilidade líquida da água percorro o caminho da sua boca, língua, dentes e goela...
Ao contrário da água inodora e insípida nós temos cheiro e sabor de champanhe e nossas reuniões são sempre réveillon em Copacabana.
Nunca é compromisso de agenda, 
nunca é formalidade, 
nunca é trabalho!
Nunca é sem gosto ou sem-graça...
Podemos ser taças, cubos de gelo, suor, vidro ou até cristal mas nunca copeiro ou copeira, porque nós, nós somos o resultado de uma combinação, 
nós somos sempre química!




Thursday, February 04, 2016

Relembrando porque comecei o Blog.

https://www.youtube.com/watch?v=XZgwfggIEx0

Você em partes.

O cheiro do seu pescoço, seu chicletes mascado e suas meias de algodão deveriam ser guardados em vidrinhos dentro da minha estante de madeira.
Todos os dias frios, os dias tristes e também nos dias de muito trabalho, eu poderia arrastar um banquinho até ela e com cuidado escolheria um deles para abrir e cheirar, abrir e mascar, abrir e sonhar.
De alguma maneira eu consigo saber que você tem coisas valiosas aí em você e eu preciso delas pra viver melhor.
Tinha uma gota do seu cheiro na minha narina, logo que amanheceu .
Com o tempo aprendi apreciar seus modos:
observo entusiasmada como abre sua camisa,
como ajeita o cabelo,
como segura o volante,
como sorri,
como cospe e como come.
Aprendi te apreciar de longe, de perto, aos poucos, por alguns minutos e por um pouco mais do que isso.
É estranho como de tempos em tempos, como um fenômeno cíclico,  você ressurge me fazendo querer um pouco mais de "nós"em minha vida
 e talvez por isso
preservo essa  "pira"
 de querer em frascos,
com etiquetas legíveis
 uma mostra do seu "CUSPE", "SALIVA" e "CHULÉ"...

Friday, January 29, 2016

Do filme de ontem.

Não, a pergunta não é deste filme. 
Uma pergunta que vi no filme de ontem: "...ele teve uma paixão?".  Após a morte de alguém seria esta a pergunta pertinente a ser feita para a época. Certamente existem outras perguntas importantes a serem feitas quando perdemos alguém porém, hoje , quero me prender nela: Eu tive uma paixão (até aqui)? Perguntinha cretina fui me fazer. Logo brotou uma tristezinha em mim por constatar que não se fazem paixões como antigamente.
Conclusão minha.
Hoje quero contar sobre uma paixão bem cafoninha que experimentei.
(Geralmente, as pessoas que se cercam de certezas achariam cafoninha e daí pra agradar elas eu vou tratar assim.)
Não posso dar nome né? Aos bois? Aos dois? A nós?
Bem, use aí a imaginação e complemente ao Marilia o nome que preferir. Na verdade ele poderia ter o nome que quisesse isso não mudaria sua masculinidade e olhar! Mas não dê nomes fofos, ele não combina com nada que transborde fofura.
Cozinha,  porém não lava louças ( saibam que pra mim isso muda tudo). Homem que lava louça em casa me dá nos nervos. Limpar quintal, lavar carro pode, lavar louça não.
Eu também nunca me importei nadinha com a profissão dele. Poderia ser vendedor de picolé que continuaria o mesmo cara.
Tento entender como começou a paixonite-aguda-severa? Concluo que foi o olhar, Mas não falo de um olhar "pah" dele ou meu..
 O lugar estava cheio e por ser pequeno parecia mais cheio ainda. Dai olhando as pessoas eu o vi. Daí olhando as pessoas ele me viu. PAHS! Sintonia. Mesma frequência. Um imã. Só pode ter sido imã. Existe imã de pegar pessoas e grudar? Se existe ele estava com defeito pois nos mantêm grudados em pensamentos e separados fisicamente até.... Ah! que tragédia! Continuamos nossa vida e reservamos sem querer um quartinho, dentro de cada um, para o outro. É um quartinho e não um cantinho. Quem tem uma paixão não pode colocá-la num canto ou estará fadada à morte.
Como sou contra post´s grandes continuo amanhã. Nessa história não tenho pressa...


PS: Você tem uma paixão?



Resolvi voltar!






Me deu saudades do blog. Saudades de falar em forma de texto. Primeiro achei que voltaria contanto tristezas, mas,  ainda não consigo contar tristezas, as alegrias, mesmo que pequenas, devem tomar o espaço na nossa boca, nos dedos e nas expressões. Então, este mini post é pra dizer: estou de volta.
Este blog é pessoal. Eu falo por mim. É a Marilia que precisa dele, então se você ler, saiba me respeitar e se não conseguir, não se culpe! vou entender perfeitamente! Seja bem-vindo ao meu espaço.